segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mais de 140 países homenagearam Fidel Castro na ONU

Secretário Geral do ONU presta homenagens a Fidel Castro - Foto: ACN
Do Opera Mundi 

A embaixadora cubana Ana Silvia Rodríguez agradeceu nesta segunda-feira (05/12) as mensagens de solidariedade recebidas por representantes de mais de 140 países membros da ONU pela morte do ex-presidente e líder revolucionário cubano Fidel Castro.

Representantes internacionais e funcionários da ONU prestaram homenagem a Fidel na Missão Permanente de Cuba nas Nações Unidas, com sede em Nova York, onde assinaram o livro de condolências pela morte do líder cubano.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi uma das autoridades a oferecer suas condolências ao povo cubano. “Fidel Castro foi uma figura emblemática da revolução cubana e uma energética voz a favor da justiça social, que deixou uma importante marca no seu país e na política global”, disse Ban.

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Rodríguez também citou a visita de António Guterres, próximo secretário-geral da ONU que assumirá a partir de janeiro de 2017, e de Peter Thomson, presidente da Assembleia Geral da organização, que afirmou que Fidel Castro foi “um dos líderes mais ilustres do século 20”.

“Foi um defensor incansável da igualdade no cenário internacional e uma inspiração para os países em desenvolvimento, sua dedicação para o avanço, especialmente no âmbito da saúde, será sempre lembrado”, disse Thomson em reunião da Assembleia Geral. 

Além do livro de condolências, os integrantes da missão cubana assinaram o juramento de lealdade ao “conceito de revolução” expressado pelo ex-presidente em 2000. 

Rául Castro deposita as cinzas do Comandante em cemitério de Santiago - Foto: Juvenal Balán

Presidente de Cuba recebeu lideranças sociais da América Latina

Raúl Castro recebeu grupo de latino-americanos que viajaram a Cuba para despedir de Fidel 

Do Nocaute

Neste domingo, 4 de dezembro, horas depois do sepultamento das cinzas do Comandante Fidel Castro, o presidente Raúl Castro recebeu um pequeno grupo de latino-americanos que tinham viajado a Cuba para as despedidas de Fidel. 

Na foto: na primeira fila, da esquerda para a direita: Wagner Freitas (Presidente da CUT), Lula, Daniel Ortega, Dilma Rousseff, Raúl Castro, Nicolás Maduro e Evo Morales. Segunda fila: Guillaume Long (chanceler do Equador), Guilherme Boulos (MTST), Fernando Morais (Nocaute), Monica Valente (secretária de Relações internacionais do PT) e Raúl Guillermo Castro (neto de Raúl Castro). Terceira fila: David Choquehuanca (chanceler da Bolívia), Olímpio Cruz Neto, João Pedro Stédile (MST) e Breno Altman (Opera Mundi). No alto, Miguel Diáz-Canel (vice-presidente de Cuba), Delcy Rodríguez (chanceler da Venezuela) e Bruno Rodríguez (chanceler de Cuba). 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Assine o livro online de condolências pela morte de Fidel Castro

Do Vermelho 

Aqueles que desejam enviar uma mensagem de solidariedade ao povo cubano, mas não estão próximos da embaixada ou de algum consulado da ilha no Brasil podem assinar o livro de condolências pela morte de Fidel Castro online.

As mensagem publicadas no livro serão enviadas a Cuba e ficarão à disposição do povo cubano. 

Além do livro, os consulados e a embaixada no Brasil abriram suas portas a todo cidadão brasileiro que desejasse render uma homenagem ao comandante máximo da revolução cubana. 

"Fidel nos ensinou que podemos superar qualquer obstáculo na construção do socialismo"

'Fidel [Castro] nos ensinou que, sim, podemos', diz Raul Castro; veja íntegra de discurso em Santiago de Cuba
Rául discursa em último ato a Fidel junto às massas - Santigo de Cuba
Em discurso realizado na noite deste sábado (03/12), durante o ato de massas que lotou a praça Antonio Maceo, na cidade de Santiago, como parte dos atos fúnebres para marcar a morte do líder revolucionário Fidel Castro, seu irmão e presidente de Cuba, Raúl Castro, disse que o grande ensinamento que Fidel deixou foi que “sim, se pode”.

A frase relembra palavras ditas por Fidel aos cubanos durante o período em que governou o país. O presidente cubano lembrou momentos importantes da vida de Fidel, como o apoio dado a Angola para debelar as forças racistas do apartheid no país, ou a ajuda médica enviada a diversos países, inclusive ao Brasil.

Raúl reforçou o papel de Fidel para a construção dos valores do modelo cubano de sociedade, baseado na solidariedade, humanidade e internacionalismo. Esse modelo levou Cuba a ter na saúde, educação e segurança públicas suas maiores realizações, tendo erradicado o analfabetismo em um ano, logo no início do governo revolucionário, e reduzido a taxas baixas a mortalidade infantil.

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Segundo Raul, a manutenção desses valores, mesmo ante ao bloqueio de mais de 50 anos imposto pelos EUA a Cuba, colocou a capacidade de resistência das cubanas e cubanos à prova. Mas, com a condução de Fidel, o país revelou que “sim, se pode” superar as adversidades e sustentar os ideias revolucionários.
Povo de Santiago de Cuba no último adeus a Fidel Castro - Foto: Ricardo Stuckert


 Leia a seguir a íntegra do discurso do presidente Raul Castro:

"O maior legado de Fidel Castro é ter ensinado ao mundo o que é ser companheiro"

Fidel Castro: Se fue el compañero
Mandela e Fidel Castro
Por Paulo Cannabrava Filho no Diálogos do Sul

Mal interpretado por muitos, talvez o único que realmente bem interpretou Fidel Castro foi ele mesmo. E deixou isso muito bem explícito em sua obra.

Em discurso em Santa Clara, por exemplo, em comemoração à batalha decisiva travada pelos guerrilheiros contra o exército de Batista, Fidel fez um longo retrospecto da história de Cuba para demonstrar que o triunfo da Revolução era resultado de 100 anos de lutas, lutas que começaram com as revoltas dos escravos no século XVII, passaram pelas lutas pela independência no século XVIII e XIX e as lutas anticolonialista e anti-imperialistas no século XX, desmentindo os que lhe atribuíam a teoria do foco revolucionário. A guerrilha não teria sido vitoriosa sem o apoio dos movimentos sociais revolucionários nas cidades, arrematou.

A dimensão intelectual do líder impressionou o mundo. Vi nos fóruns internacionais como ele provocava deslumbramento e reverência. Reverência dos cultos, dos líderes respeitados em seus países, e deslumbramento nos párias arribados ao poder. O seu brilho realmente incomodava.

Sua geração se inspirou em José Martí, intelectual fecundo, líder das lutas pela independência no século XIX. Cuba liberta da Espanha era presa fácil dos Estados Unidos. Vivi no monstro e conheço suas entranhas, disse Martí. Como Bolívar, acreditava que somente a construção da Pátria Grande poderia colocar freio ou deter a marcha expansionista e hegemônica do novo império, já desenhada na Doutrina Monroe.

Fidel Castro reescreveu e escreveu a História de Cuba. “A história me absolverá”, sua defesa quando preso por comandar o assalto al quartel de Moncada, em 1956, é profética pois traça o que seria a obra da revolução no futuro. Em cada momento do processo revolucionário os discursos de Fidel Castro eram uma prestação de contas à população, honestamente falava dos êxitos e dos fracassos. Ele não deixou um só acontecimento no mundo sem marcar posição, agradasse ou não a quem quer que fosse.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Povo nas ruas e simbolismo marcam fim do cortejo com cinzas de Fidel

Restos mortais do ex-presidente e líder cubano percorreram todo o país antes da chegada a Santiago, em trajeto que relembra Caravana da Liberdade
Cinzas de Fidel percorre Cuba rumo a Santiago - Fotos: Ladyere Pérez/Cubadebate 
 Por Camilo Toscano no Opera Mundi

Após os quatro dias de trajeto iniciado na quarta-feira (30/11), em Havana, encerrou-se neste sábado (03/12), com a chegada a Santiago, o cortejo com os restos mortais do ex-presidente de Cuba Fidel Castro, num percurso com presença popular nas ruas e repleto de simbolismo.

Fidel morreu no dia 25 de novembro, levando o país a parar por nove dias em luto oficial decretado pelo governo em homenagem à memória do ex-líder guerrilheiro.

Depois de dois dias em que a população da capital Havana se despediu de Fidel e mais de 2 milhões de pessoas participaram de um ato na praça da Revolução, as cinzas do ex-presidente seguiram em cortejo até Santiago, fazendo o caminho inverso da Caravana da Liberdade que marcou a vitória dos revolucionários que derrubaram Fulgêncio Batista, em 1959.

A chegada a Santiago, pouco antes das 14h (17h de Brasília), onde Fidel será enterrado neste domingo (04/12), reforça a história da Revolução Cubana. Além da repetição da caravana, a chegada a Santiago remete também ao início do processo que levou Fidel ao poder. Foi na cidade que, em 26 de julho de 1953, o líder revolucionário liderou cerca de 150 combatentes no assalto ao quartel Moncada, ação que acabou fracassando e levando Fidel a um julgamento que resultou numa sentença de 15 anos de prisão.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As 10 formas mais bizarras que a CIA usou para tentar matar Fidel Castro

Foram mais de 600 tentativas utilizadas pela agência estadunidense para assassinar o líder da Revolução cubana, que morreu aos 90 anos, de causas naturais
Fidel Castro na Praça da Revolução, ao fundo imagem do companheiro Che Guevara
Do RT

Em fevereiro de 1959, Fidel Castro se converteu no primeiro-ministro de Cuba. Desde então, de acordo com Fabián Escalante, responsável por sua proteção durante a maior parte de seu mandato, Fidel sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato. A Revista Samuel reproduz artigo publicado no site Russia Today em 2014.

Escalante, ex-chefe do serviço secreto cubano, afirma que as tentativas frustradas de assassinar o líder cubano, que morreu no último dia 25/11 aos 90 anos, foram muitas em todos os governos dos Estados Unidos, desde Eisenhower até Clinton, passando por Kennedy, Johnson, Nixon, Carter, Reagan ou Bush (pai). 

A seguir, mencionamos as possíveis dez tentativas mais chamativas de acabar com sua vida ou carreira política, de acordo com a revista norte-americana Mental Floss.

1 Mulher fatal

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Cortejo com cinzas de Fidel atravessa Cuba e leva milhares de pessoas às ruas para despedida

Percurso faz caminho de volta da Caravana da Liberdade, quando em 1959 Fidel Castro e outros guerrilheiros foram de Santiago a Havana após vitória da Revolução 

Moradores acompanham cortejo com cinzas de Fidel em Ciego de Ávila - Afe
Por Camilo Toscano no Opera Mundi

A repetição da Caravana da Liberdade, de 1959, com os restos mortais de Fidel Castro, tem levado milhares de cubanos às ruas das cidades por onde passa para se despedir do ex-presidente e líder revolucionário.

O cortejo fúnebre partiu de Havana nesta quarta-feira (30/11) rumo a Santiago, no leste da ilha, fazendo o percurso inverso àquele realizado por Fidel e guerrilheiros de Sierra Maestra entre os dias 1º e o 8 de janeiro de 1959 após o triunfo da Revolução Cubana.

Depois de passar a noite na cidade de Santa Clara, onde houve uma vigília feita pelos moradores, o cortejo fúnebre partiu na manhã desta quinta-feira (1/12) rumo à cidade de Santo Espírito, aonde chegou por volta das 12h (15h em Brasília). Santa Clara é a cidade onde estão os restos mortais de Ernesto Che Guevara, que junto com Fidel liderou a Revolução Cubana. À tarde, foi a vez dos cidadãos e cidadãs de Ciego de Ávila ir às ruas prestar uma última homenagem a Fidel.

Como imprensa construiu imagem de Fidel Castro e da Revolução Cubana


Por Amanda Cotrim

Boa parte da memória sobre Cuba, e consequentemente sobre Fidel, foi construída pela imprensa, que por sua vez não é isenta de uma posição discursiva e ideológica. Os jornais, dessa maneira, repetiram alguns enunciados sobre Fidel, silenciaram outros e regularizaram algumas interpretações sobre o líder cubano.

Para falar sobre Fidel é preciso falar de Cuba:

Cuba era um local estratégico para a política comercial da região do Caribe, sendo palco, no final do século XIX, de duas tentativas de independência. A primeira ficou conhecida como a Guerra dos 10 anos (1865-1875); já a segunda ocorreu em 1895 e teve como líder José Martí, que morreu em combate

Desde o segundo processo de independência cubana (1895-1898), a imprensa brasileira produziu informações sobre o que ocorria em Cuba, por meio do jornal O Estado de S. Paulo. O veículo foi o primeiro a veicular uma opinião, no dia 27 de abril de 1895, se colocando a favor do movimento cubano que pedia a independência e se alinhando ao discurso norte-americano da época, que tinha interesse na independência de Cuba.